
O futebol brasileiro sempre foi marcado por grandes clubes, conquistas memoráveis e torcidas apaixonadas. No entanto, fora das quatro linhas, muitas dessas equipes enfrentam um adversário perigoso: o endividamento. A má gestão financeira, os gastos excessivos com contratações e salários, a falta de planejamento e até crises políticas internas levaram diversas equipes a acumular dívidas bilionárias, colocando em risco sua sustentabilidade e, em alguns casos, até sua própria existência.
Assim, o Bolavip Brasil traz os 20 times mais endividados do Brasil ou que, em algum momento, quase chegaram à falência, analisando os principais fatores que os levaram a essa situação. Desde clubes historicamente vencedores até times emergentes, a realidade financeira do futebol nacional mostra que, sem um gerenciamento responsável, a glória dentro de campo pode ser rapidamente substituída por crises e incertezas fora dele. Confira:
20 – Cuiabá: R$ 4 milhões

Foto: Gil Gomes/AGIF
O Cuiabá foi um dos clubes brasileiros com dívida praticamente zerada em 2023, segundo a consultoria Sports Value. O balanço do clube registrou apenas R$ 841 mil na linha de empréstimos e financiamentos, com juros que variam de 0,99% ao ano a 12,12% ao ano.
Estrutura da Dívida
Dívidas bancárias: baixíssimas, quase inexistentes
Dívidas operacionais: gerenciáveis e dentro do orçamento
Impostos e acordos: sem grandes passivos acumulados
O Cuiabá manteve uma gestão financeira equilibrada, evitando dívidas excessivas e trabalhando dentro das suas possibilidades.
Impacto do Rebaixamento
Apesar da boa situação financeira, a queda para a Série B em 2024 pode afetar o clube. A redução de receitas com direitos de transmissão, premiações e patrocínios pode dificultar investimentos e exigir uma adaptação orçamentária para manter a saúde financeira e buscar o retorno à elite do futebol brasileiro.
19 – Ceará: R$ 59,5 milhões

Foto: Lucas Emanuel/AGIF
O Ceará encerrou 2023 com um endividamento de R$ 59,5 milhões, um valor relativamente baixo em comparação com outros clubes brasileiros. No entanto, houve um aumento em relação a 2022, quando a dívida era de R$ 38 milhões.
Estrutura da Dívida
Dívidas bancárias: controladas e sem grande impacto financeiro
Dívidas operacionais: ligadas ao funcionamento do clube no ano
Impostos e acordos: valores dentro de um patamar gerenciável
Apesar do aumento da dívida em 2023, a tendência para o próximo balanço é de redução, pois o clube garantiu o acesso à Série A, o que deve gerar aumento de receitas, especialmente com direitos de transmissão, patrocínios e bilheteria.
18 – Fortaleza: R$ 67 milhões

Foto: Baggio Rodrigues/AGIF
O Fortaleza tem um endividamento de R$ 67 milhões, um valor relativamente baixo comparado a outros clubes brasileiros. A grande vantagem do clube é não possuir dívidas bancárias relevantes, o que reduz o impacto dos juros sobre suas finanças.
Estrutura da Dívida
Dívidas bancárias: praticamente inexistentes
Dívidas operacionais: ligadas ao dia a dia do clube
Impostos e acordos: valores administráveis e sob controle
Motivos da Dívida
A maior parte da dívida do Fortaleza está relacionada a obrigações correntes, ou seja, gastos normais da operação do clube, sem grandes pendências do passado.
Situação Atual
O clube tem conseguido aumentar suas receitas, especialmente com a participação constante em competições internacionais, como a Libertadores e a Sul-Americana. Além disso, a bilheteria do Castelão tem sido uma importante fonte de renda, impulsionada pelo forte apoio da torcida.
O Fortaleza mantém uma gestão financeira saudável, com crescimento sustentável e controle dos custos. A ausência de dívidas bancárias pesadas e o aumento das receitas garantem ao clube um caminho sólido para seguir competitivo no cenário nacional e internacional.
17 – América-MG: R$ 109 milhões

Foto: Gilson Lobo/AGIF
O América-MG conseguiu reduzir seu endividamento de R$ 133 milhões para R$ 109 milhões, refletindo uma gestão financeira mais organizada. No entanto, o clube foi impactado pelo rebaixamento à Série B, o que comprometeu parte de suas receitas.
Estrutura da Dívida
Dívidas bancárias: caiu de R$ 38 milhões para R$ 25 milhões
Dívidas operacionais: reduziu de R$ 36 milhões para R$ 34 milhões
Impostos e acordos: subiram de R$ 60 milhões para R$ 65 milhões
Apesar dessas obrigações, o América terminou o ano com um ativo circulante de R$ 14,1 milhões em caixa, além de R$ 1,1 milhão em adiantamentos e R$ 3,9 milhões em despesas antecipadas.
Motivos da Dívida
O América-MG tem mantido um controle financeiro rígido, mas a queda para a Série B reduziu as receitas de transmissão e premiações. Para compensar, o clube apostou em vendas de jogadores, arrecadando R$ 62,4 milhões, e investiu R$ 7,7 milhões na formação do elenco e R$ 2 milhões na categoria de base.
Situação Atual
O relatório financeiro indica que a dívida está controlada, e o clube continua buscando equilíbrio financeiro mesmo com o impacto do rebaixamento. A manutenção dessa política será essencial para evitar novos problemas econômicos e garantir um retorno sustentável à Série A.
16 – Coritiba: R$ 277 milhões

Foto: Baggio Rodrigues/AGIF
O Coritiba tem trabalhado para reduzir seu endividamento e melhorar sua situação financeira desde a criação da SAF. Em março de 2024, a dívida do clube era de R$ 214 milhões, representando uma redução de R$ 60 milhões em relação ao pico registrado em 2020 (R$ 274 milhões).
Estrutura da Dívida
A maior parte das obrigações do Coritiba está relacionada a parcelamentos tributários e recuperação judicial, somando R$ 43 milhões em dezembro de 2024. Desde a chegada da Treecorp, empresa que administra a SAF do clube, mais de R$ 100 milhões já foram investidos para reorganizar as finanças e modernizar a gestão.
Motivos da Dívida
O endividamento do Coritiba se acumulou entre 2009 e 2020, principalmente devido a gastos elevados com pessoal e despesas administrativas, além de dificuldades em manter receitas sustentáveis na Série A. A falta de investimentos estruturais e os problemas financeiros recorrentes levaram à necessidade de renegociação de passivos e à entrada da SAF.
Mesmo com as dificuldades, o Coritiba conseguiu fechar 2023 com um superávit de quase R$ 15 milhões, o que indica uma melhora na gestão financeira do clube.
Situação Atual
Com a Treecorp investindo no clube e um modelo de gestão mais eficiente, o Coritiba tem conseguido diminuir sua dívida e equilibrar suas contas. A SAF busca ampliar receitas e estruturar o clube para ser competitivo sem comprometer seu orçamento. A expectativa é que, nos próximos anos, a dívida continue a cair e o clube consiga investir mais no futebol de forma sustentável.
15 – Bahia: R$ 366 milhões

Foto: Walmir Cirne/AGIF
O Bahia viu seu endividamento aumentar para R$ 366 milhões, mas com um perfil diferente devido à chegada do Grupo City. O conglomerado quitou dívidas anteriores e substituiu parte do passivo por um empréstimo interno, o que garante condições mais favoráveis de pagamento em relação ao cenário anterior.
Estrutura da Dívida do Bahia
O endividamento do Bahia está concentrado principalmente em compromissos operacionais e em um empréstimo com o Grupo City, que tem melhores condições do que as dívidas bancárias tradicionais. Esse novo perfil da dívida traz mais previsibilidade financeira para o clube.
Motivos da Dívida
O faturamento do Bahia em 2023, por exemplo, chegou a R$ 158 milhões, com um crescimento importante em receitas diretamente ligadas à torcida, como bilheteria e sócios. No entanto, as transferências de jogadores ainda não atingiram o potencial esperado, o que limitou o crescimento de receitas.
O clube também teve um grande aumento nos gastos com pessoal (salários, encargos trabalhistas e direitos de imagem), que dobraram em relação ao ano anterior. Além disso, as despesas administrativas também subiram, resultando em um custo total de R$ 178 milhões na temporada. Apesar do impacto, esses gastos foram cobertos pelas receitas elevadas, garantindo a continuidade dos investimentos no time
14 – Flamengo: R$ 391 milhões

Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
Em 2023, o Flamengo manteve seu endividamento em R$ 391 milhões, refletindo uma situação financeira controlada, especialmente considerando o tamanho do clube e seu faturamento elevado. A dívida do Flamengo está principalmente relacionada a compromissos operacionais, com uma gestão eficiente do passivo.
Estrutura da Dívida do Flamengo
Dívidas bancárias: R$ 0
Uma das grandes conquistas da gestão financeira do Flamengo foi zerar suas dívidas bancárias, o que elimina a necessidade de pagar juros sobre empréstimos e libera recursos para novos investimentos no clube. A eliminação dessa dívida contribui para a saúde financeira do clube.
Dívidas operacionais: A maior parte da dívida do Flamengo, R$ 391 milhões, está relacionada a compromissos operacionais, ou seja, despesas correntes ligadas ao funcionamento diário do clube. Isso inclui salários, encargos trabalhistas e pagamentos de fornecedores, que são essenciais para a manutenção das atividades do clube e do elenco.
Motivos da Dívida
A dívida do clube vem de um elevado custo com pessoal e despesas administrativas, mas que foram pagos pelas receitas altas provenientes de outras fontes.
13 – Grêmio: R$ 441 milhões

Foto: Maxi Franzoi/AGIF
A dívida do Grêmio totaliza R$ 441 milhões, uma elevação em relação aos valores de anos anteriores. Essa dívida está dividida em três categorias principais, refletindo a natureza dos compromissos financeiros do clube.
Estrutura da Dívida do Grêmio
Dívidas bancárias: R$ 131 milhões
Esse valor representa os empréstimos tomados pelo clube com instituições financeiras. Em um momento de recuperação e necessidade de liquidez, o Grêmio recorreu a empréstimos para cobrir déficits e garantir a continuidade das operações.
Impostos e acordos: R$ 131 milhões
A dívida tributária do Grêmio é significativa, mas não é o único componente do passivo do clube. Este montante reflete tanto os impostos devidos quanto os acordos firmados com órgãos fiscais para regularizar pendências do passado.
Dívidas operacionais: R$ 224 milhões
As dívidas operacionais estão relacionadas aos compromissos do dia a dia do clube, como salários, fornecedores e contratos com jogadores. Este valor reflete as obrigações correntes do Grêmio e está relacionado ao funcionamento diário do clube.
Motivos da Dívida:
O aumento na dívida do Grêmio está ligado a um processo de alavancagem financeira, onde o clube recorreu a empréstimos para cobrir déficits financeiros. Em situações como essa, o uso de crédito, embora necessário em momentos de crise, acarreta juros elevados, o que contribui para o aumento do passivo do clube. A maior parte da dívida do Grêmio está concentrada em empréstimos bancários e impostos, com uma parte significativa também em dívidas operacionais.
O Grêmio, historicamente, é um clube com uma gestão financeira mais cautelosa, mas a pressão para continuar competitivo em um cenário de grandes investimentos no futebol, além de uma recuperação após momentos difíceis, acabou elevando seu endividamento. Embora o clube tenha tomado empréstimos para manter suas operações e investimentos em jogadores, juros altos prejudicam o equilíbrio das contas.
12 – Palmeiras: R$ 466 milhões

Foto: Ettore Chiereguini/AGIF
A dívida do Palmeiras totaliza R$ 466 milhões. Esse montante está distribuído entre diferentes categorias de dívidas, com uma grande parte ligada a compromissos operacionais.
Estrutura da Dívida do Palmeiras
Dívidas bancárias: R$ 73 milhões
Este valor refere-se a compromissos do clube com instituições financeiras. Embora não seja uma fatia significativa da dívida total, contribui para o passivo financeiro do Palmeiras.
Impostos e acordos: R$ 25 milhões
O Palmeiras possui uma dívida tributária mais controlada em comparação a outros clubes, com um valor bem abaixo da média de muitas equipes. Isso reflete uma gestão fiscal mais eficaz e acordos realizados com os credores para evitar problemas maiores.
Dívidas operacionais: R$ 382 milhões
Essa categoria engloba os compromissos correntes do clube, como contratos com jogadores, fornecedores, e outros custos operacionais. Este valor é o maior componente da dívida do Palmeiras e reflete as obrigações do clube com o funcionamento do dia a dia.
Motivos da Dívida
A dívida do Palmeiras é principalmente atribuída a compromissos operacionais e a gestão do clube ao longo do ano. A situação financeira do clube é bastante controlada, considerando o alto faturamento do Palmeiras, o qual é o segundo maior do Brasil, o que ajuda a manter o endividamento em níveis mais baixos do que em muitos outros clubes. A administração, sob a presidência de Leila Pereira, tem sido responsável por manter uma dívida relativamente baixa, apesar dos investimentos constantes em contratações de jogadores e na busca por títulos, o que é uma prioridade para a diretoria.
Embora a presidente Leila Pereira enfrente a pressão para conquistar títulos e contratar jogadores de peso, a gestão do clube tem sido cautelosa em relação a gastos e tem evitado cometer irresponsabilidades financeiras. A dívida do Palmeiras, ao contrário de muitos clubes brasileiros, não tem aumentado de forma descontrolada, e o clube continua a operar com um EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) robusto, o que ajuda a garantir sua saúde financeira.
11 – Athletico-PR: R$ 492 milhões

Foto: Gabriel Machado/AGIF
A dívida do Athletico-PR totalizou R$ 492 milhões, é principalmente resultado do financiamento da Ligga Arena, que foi reformada para sediar a Copa do Mundo de 2014. O clube possui um acordo tripartite com a Prefeitura de Curitiba e o Governo do Paraná, que visa dividir as responsabilidades financeiras da construção e reforma do estádio.
Estrutura da Dívida do Athletico-PR
A dívida do Athletico-PR é praticamente toda relacionada à Ligga Arena e está dividida da seguinte forma:
Financiamento da Ligga Arena: R$ 492 milhões
Esse valor está relacionado ao financiamento da reforma do estádio, que teve um custo total de R$ 346,2 milhões, sendo R$ 291 milhões financiados pela Fomento Paraná. No entanto, devido a juros e correção da dívida, o valor da dívida se aproximou de R$ 590 milhões, sem incluir multas e juros moratórios.
Juros do financiamento: R$ 63 milhões até dezembro de 2024
A dívida também inclui os juros do financiamento, que são 1,9% ao ano, e que geraram um custo adicional de R$ 63 milhões até o final de 2024.
Parcelas futuras
Em 2025, o Athletico-PR terá que pagar R$ 67,5 milhões, além de uma parte que cabe à Prefeitura de Curitiba, de R$ 50 milhões.
Potencial construtivo: R$ 240 milhões
Existe também uma possibilidade de a dívida chegar a R$ 342,94 milhões, caso o valor de R$ 240 milhões relacionado ao potencial construtivo seja considerado.
Principais Motivos da Dívida
Financiamento da Ligga Arena: O Athletico-PR comprometeu-se com o financiamento da reforma da arena, com grande parte da dívida sendo referente ao custo da obra. Embora o estádio tenha sido um grande ativo para o clube, a reforma ainda não foi completamente quitada, gerando uma dívida significativa.
Acordo com a Prefeitura e Governo do Estado: Após um longo processo judicial, o clube firmou um acordo tripartite com a Prefeitura de Curitiba e o Governo do Paraná em 2023 para resolver o imbróglio relacionado ao financiamento da reforma do estádio.
Juros sobre o financiamento: O financiamento da reforma tem juros de 1,9% ao ano, que, ao longo do tempo, aumentaram consideravelmente o valor da dívida, adicionando custos adicionais.
Situação Atual e Perspectivas
Redução da dívida: O Athletico-PR conseguiu reduzir a dívida de R$ 590 milhões para R$ 492 milhões em 2023, e o clube se organiza para lidar com esse único passivo.
Impacto do rebaixamento: A queda para a Série B teve um impacto negativo nas receitas do clube, mas o Athletico está focado em sanar a dívida da Ligga Arena com o acordo firmado em 2023.
Perspectivas de pagamento: O pagamento da dívida segue dividido em parcelas anuais, com o clube pagando uma nova parcela de R$ 67,5 milhões em 2025, além de uma parte que cabe à Prefeitura de Curitiba. O potencial construtivo ainda pode aumentar a dívida, o que exigirá um planejamento cuidadoso para evitar novos passivos.
Em resumo, a principal dívida do Athletico-PR está vinculada à Ligga Arena, e o clube, apesar das dificuldades financeiras, tem tentado gerenciar essa dívida por meio de acordos com as esferas pública e privada. O grande desafio será a sustentabilidade financeira a longo prazo, especialmente após o impacto do rebaixamento.
10 – Santos: R$ 548 milhões

Foto: Reinaldo Campos/AGIF
A dívida do Santos, que em 2023 alcançou R$ 548 milhões, é o resultado de uma série de problemas financeiros que o clube enfrenta há anos, agravados pela gestão ineficaz, principalmente durante a presidência de Andrés Rueda. O clube tem dependido excessivamente da venda de jogadores da base para gerar receita, mas essa estratégia tem se mostrado insustentável, já que as dívidas continuam a aumentar.
Estrutura da Dívida do Santos
A dívida do Santos está distribuída da seguinte forma:
Dívidas bancárias: R$ 65 milhões
Inclui empréstimos contraídos para garantir o fluxo de caixa, com destaque para uma grande dívida com o Banco Safra, que somava R$ 54 milhões.
Impostos e acordos: R$ 275 milhões
Parte da dívida é relacionada a impostos e parcelamentos fiscais, que representam uma grande fatia do passivo do clube.
Dívidas operacionais: R$ 210 milhões
Relacionadas a compromissos correntes, como salários de jogadores, fornecedores e outros gastos operacionais.
Principais Motivos da Dívida
Gestão ineficaz e falhas no departamento de futebol: Durante a presidência de Andrés Rueda, o Santos teve uma administração que não conseguiu equilibrar as finanças, com gastos excessivos e baixa arrecadação.
Dependência da venda de jogadores da base: O Santos historicamente depende das vendas de jogadores da base, como Neymar, para gerar receita. No entanto, essa estratégia tem sido cada vez mais difícil de sustentar à medida que a competição no mercado cresce e as vendas não compensam as dívidas.
Dívidas históricas: O clube ainda carrega passivos herdados de administrações passadas, como dívidas com o Banco Safra e com a Federação Paulista de Futebol.
Dívidas com jogadores e agentes: O Santos tem pendências financeiras com jogadores como Cueva, Jean Lucas, João Lucas e Basso, além de dívidas com o agente Giuliano Bertolucci, que complicaram ainda mais a situação financeira.
Problemas relacionados à venda de Neymar: O Santos ainda enfrenta dívidas com a Agência Tributária Espanhola devido a irregularidades na venda de Neymar para o Barcelona, que geraram passivos adicionais.
9 – Internacional: R$ 650 milhões

Foto: Luiz Erbes/AGIF
A dívida do Internacional, atualmente em R$ 650 milhões, reflete uma combinação de altos gastos com pessoal, aumento das despesas administrativas e dificuldades históricas em equilibrar as contas. Embora o clube tenha melhorado sua gestão nos últimos anos, os passivos continuam crescendo, consumindo recursos que poderiam ser investidos no futebol.
Estrutura da Dívida do Internacional
A dívida do Internacional está distribuída da seguinte forma:
Dívidas bancárias: R$ 123 milhões
Empréstimos contraídos para fluxo de caixa e pagamentos imediatos. Um dos maiores desafios, já que os juros corroem receitas futuras.
Dívidas operacionais: R$ 228 milhões
Relacionadas a salários, fornecedores e compromissos com jogadores.
Impostos e acordos: R$ 299 milhões
Grande parte da dívida vem de impostos e parcelamentos fiscais.
O aumento da dívida nos últimos anos mostra que o Inter ainda enfrenta dificuldades financeiras, apesar dos esforços para melhorar a gestão.
Principais Motivos da Dívida
Gastos elevados com pessoal: Em 2023, o clube gastou R$ 333 milhões com salários, direitos de imagem e encargos trabalhistas.
Dívidas bancárias e juros altos: Empréstimos antigos seguem impactando o fluxo de caixa do clube.
Crescimento das despesas administrativas: Os custos operacionais aumentaram, sem uma compensação equivalente em receitas.
Histórico de gestões deficitárias: O Internacional enfrentou administrações que aumentaram a dívida ao longo da última década.
Esforço para manter competitividade: Investimentos no elenco e em infraestrutura também pressionam as finanças.
8 – Vasco da Gama – R$ 696 milhões

Foto: Fernando Moreno/AGIF
A dívida do Vasco da Gama, atualmente em R$ 696 milhões, é reflexo de anos de má gestão, altos custos com pessoal e dificuldades em equilibrar as contas. Mesmo com a transição para SAF, o clube ainda enfrenta desafios financeiros consideráveis.
A dívida está dividida da seguinte forma:
- Dívidas bancárias: R$ 55 milhões
Valor relativamente baixo em comparação com outros clubes, mas ainda um peso no caixa.
- Impostos e acordos: R$ 517 milhões
Maior parte da dívida vascaína vem de impostos e negociações fiscais.
- Dívidas operacionais: R$ 204 milhões
Relacionadas a compromissos correntes, como pagamentos a jogadores, fornecedores e outras obrigações do dia a dia.
O grande problema do Vasco tem sido o aumento das despesas, principalmente com folha salarial e encargos trabalhistas.
Principais Motivos da Dívida:
Gastos elevados com pessoal: O clube gastou R$ 290 milhões apenas em 2023 com salários, direitos de imagem e encargos.
Dívidas tributárias pesadas: Com R$ 517 milhões em impostos e acordos, o Vasco tem um grande passivo fiscal acumulado.
Má gestão financeira no passado: Décadas de administração deficitária geraram acúmulo de dívidas e juros.
Aumento de despesas administrativas: O clube viu seus custos operacionais subirem, sem uma receita proporcional.
SAF ainda não conseguiu equilibrar as contas: Mesmo com investimentos da 777 Partners anteriormente, o clube segue com dificuldades financeiras.
7 – RB Bragantino: R$ 696 milhões

Foto: Anderson Romão/AGIF
A dívida do RB Bragantino, que soma R$ 696 milhões, tem uma estrutura peculiar, diferente da maioria dos clubes brasileiros. O principal motivo é que todo o montante da dívida está ligado ao próprio grupo Red Bull, e não a instituições financeiras tradicionais. Isso significa que o clube não sofre com juros abusivos nem com risco de colapso financeiro.
O endividamento está dividido da seguinte forma:
- Dívidas de curto prazo (menos de um ano): R$ 91 milhões
Valor baixo e administrável dentro das receitas do clube.
Inclui compromissos como salários que viram o ano em aberto e pagamentos a fornecedores.
- Dívidas de longo prazo (mais de um ano): Cerca de R$ 350 milhões
São descritas no balanço como dívidas com “partes relacionadas”, ou seja, empresas ou pessoas dentro do grupo Red Bull.
Não há clareza se há cobrança de juros ou quais são os prazos de pagamento.
Como a Red Bull administra o clube, não há risco de inadimplência.
Diferente de outros clubes brasileiros, o Bragantino não possui parcelamentos fiscais pendentes, dívidas bancárias com terceiros ou grandes ações trabalhistas e cíveis.
Principais Motivos da Dívida
Investimentos da Red Bull no clube: A dívida representa o dinheiro investido pela empresa para estruturar o time, contratar jogadores e desenvolver sua base.
Modelo de gestão corporativa: Como parte de um conglomerado global, o Bragantino tem um modelo financeiro diferente, onde aportes são contabilizados como dívida interna.
Alto volume de contratações: O clube investe pesado na compra de jogadores, o que explica a presença de valores significativos em “outros” passivos, como pagamentos a agentes e clubes.
Ausência de passivos antigos: O passado financeiro do clube foi “zerado” quando a Red Bull assumiu o controle, o que significa quase nenhum risco de processos trabalhistas ou dívidas fiscais.
6 – Fluminense: R$ 736 milhões

Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
A dívida do Fluminense chegou a R$ 736 milhões, reflete um problema crônico do clube: gastos elevados, dificuldades para equilibrar receitas e juros acumulados ao longo dos anos. Mesmo com uma temporada histórica, incluindo a conquista da Libertadores da América, em 2023, o Tricolor segue lutando para equilibrar suas finanças.
A dívida do clube está dividida da seguinte forma:
- Dívidas bancárias: R$ 49 milhões
Valor relativamente baixo se comparado a outros clubes, mas ainda assim impactante devido aos juros.
- Impostos e acordos: R$ 515 milhões
Grande parte do passivo do clube está ligada a tributos não pagos e renegociações com a Receita Federal.
- Dívidas operacionais: R$ 214 milhões
Compromissos do dia a dia, como pagamento de jogadores, comissão técnica e fornecedores.
Mesmo com grandes receitas em 2023, por exemplo, a dívida continuou crescendo, principalmente devido aos juros e à necessidade de investir no futebol.
Principais Motivos da Dívida:
Má gestão financeira ao longo dos anos: O Fluminense tem um histórico de dificuldades financeiras, acumulando passivos que se tornam cada vez mais difíceis de administrar.
Folha salarial elevada: A conquista da Libertadores trouxe mais premiações, mas boa parte desse dinheiro foi destinada a pagamentos de elenco e comissão técnica.
Dependência de receitas futuras: Para fechar as contas de 2023, o clube precisou vender 20% dos direitos comerciais do Brasileirão por 50 anos para investidores da Liga Forte União.
Dificuldade em gerar receitas extras: Apesar do aumento com direitos de TV e bilheteria, os custos do clube cresceram na mesma proporção.
Juros altos sobre dívidas passadas: Mesmo com reestruturações, os juros sobre passivos antigos continuam impactando o caixa do clube.
5 – Cruzeiro – R$ 811 milhões

Foto: Gilson Lobo/AGIF
A dívida do Cruzeiro, que já chegou a R$ 1,7 bilhão, vem sendo reduzida desde a transformação do clube em SAF (Sociedade Anônima do Futebol). Atualmente, a dívida gira em torno de R$ 811 milhões, sendo que a dívida líquida já caiu para R$ 719 milhões – uma redução de 58%.
O trabalho de recuperação judicial e renegociação tem sido um dos mais eficientes entre os clubes brasileiros, impulsionado pela gestão da SAF de Ronaldo Fenômeno, que detém 90% das ações do clube.
Estrutura da Dívida do Cruzeiro:
Atualmente, os principais componentes da dívida são:
- Dívidas bancárias: R$ 89 milhões
Empréstimos contraídos ao longo dos anos, com juros elevados.
Apesar de significativa, essa é a menor parte do passivo atual.
- Impostos e acordos: R$ 706 milhões
A maior parte da dívida do clube está relacionada a tributos não pagos e acordos para regularizar pendências.
A recuperação judicial tem sido um mecanismo para organizar esses pagamentos sem comprometer totalmente o fluxo de caixa.
- Dívidas operacionais: R$ 83 milhões
Compromissos ligados ao funcionamento do clube no dia a dia, como fornecedores e contratos em aberto.
Principais Motivos da Dívida:
Gestões passadas irresponsáveis: A diretoria antes da SAF acumulou gastos sem planejamento, deixando o clube afundado em dívidas.
Salários atrasados e processos trabalhistas: O Cruzeiro acumulou diversas ações na Justiça, aumentando seu passivo.
Rebaixamento e queda de receitas: A permanência de três anos na Série B reduziu drasticamente os ganhos com bilheteria, patrocínios e direitos de TV.
Endividamento bancário e falta de controle financeiro: O clube fez empréstimos sem conseguir arcar com os pagamentos, aumentando os juros e agravando a crise.
4 – São Paulo – R$ 856 milhões

Foto: Jorge Rodrigues/AGIF
A dívida do São Paulo, que atualmente gira em torno de R$ 856 milhões, reflete uma década de má gestão financeira, gastos elevados sem retorno esportivo e dificuldade em gerar receitas sustentáveis. O clube tem apresentado déficits consecutivos, o que tem agravado sua situação financeira.
Estrutura da Dívida do São Paulo:
Atualmente, o passivo do Tricolor está dividido da seguinte forma:
- Dívidas bancárias: R$ 226 milhões
São empréstimos feitos para cobrir déficits e manter a operação do clube.
Como ocorre com outros clubes, os juros elevam esse montante com o tempo.
- Impostos e acordos: R$ 258 milhões
Parte dessa dívida vem do não pagamento de impostos ao longo dos anos.
O clube tem feito acordos para parcelar esses valores, mas ainda precisa de mais equilíbrio financeiro.
- Dívidas operacionais: R$ 376 milhões
Ligadas a compromissos de curto prazo, como salários, fornecedores e outras obrigações do dia a dia.
Impacto no balanço financeiro:
Em 2022, o São Paulo ainda teve um superávit de R$ 37,4 milhões, mas logo depois os problemas financeiros voltaram a aparecer.
Em 2023, o clube fechou com um déficit de R$ 62,2 milhões.
Em 2024, o prejuízo deve ser de R$ 200 milhões, sendo que entre janeiro e setembro de 2023, o rombo já era de R$ 191 milhões.
Principais Motivos da Dívida:
Gestões irresponsáveis (Aidar, Leco e Casares): Em uma década, os dirigentes aumentaram a dívida sem retorno esportivo significativo.
Gastos elevados sem planejamento: Contratações caras que não deram retorno, além de altos salários.
Falta de grandes vendas de jogadores: Historicamente, o São Paulo sempre vendeu bem suas promessas, mas nos últimos anos isso não tem sido suficiente para equilibrar as contas.
Endividamento crescente sem aumento proporcional da receita: A dívida do clube é quase o dobro do faturamento anual, tornando a situação insustentável.
Problemas internos com o próprio fundo de investimento: O clube criou um mecanismo para tentar aliviar as dívidas, mas enfrenta dificuldades para fazê-lo funcionar de forma eficiente.
3 – Botafogo – R$ 1,3 bilhão

Foto: Jorge Rodrigues/AGIF
A dívida do Botafogo, que já chegou a R$ 1,3 bilhão, tem sido um dos principais desafios do clube, mesmo após a transformação em SAF (Sociedade Anônima do Futebol). O Alvinegro tem adotado diversas estratégias para reduzir esse passivo, incluindo renegociações e quitação parcial de valores. Vamos detalhar os principais componentes da dívida e suas origens.
Atualmente, a dívida do clube está dividida da seguinte maneira:
Em 2022, o Botafogo tinha R$ 220 milhões em dívidas com ex-jogadores, funcionários e técnicos.
Com a reestruturação pelo Regime Centralizado de Execuções (RCE), esse valor foi reduzido para R$ 150 milhões.
Esse modelo permite que o clube pague credores de forma organizada, evitando novas penhoras que poderiam comprometer receitas.
- Dívidas cíveis Originalmente, somavam R$ 440 milhões.
Foram renegociadas pelo Regime Extrajudicial, com descontos para credores que aceitaram receber o pagamento rapidamente.
O clube já quitou R$ 130 milhões à vista, restando R$ 180 milhões a serem pagos no longo prazo.
Ainda não foram totalmente negociadas.
Como ocorre em outros clubes, são valores devidos ao governo, incluindo impostos e encargos trabalhistas.
Principais Motivos da Dívida:
Gestões passadas irresponsáveis: O Botafogo passou por anos de administração sem controle financeiro, acumulando débitos.
Gastos acima da arrecadação: O clube investiu em contratações e manutenção do elenco sem receitas sustentáveis.
Processos trabalhistas e cíveis: Atrasos salariais e problemas contratuais resultaram em diversas ações judiciais.
Falta de grandes receitas: Antes da SAF, o clube tinha dificuldades para gerar receita suficiente, seja com bilheteria, patrocínios ou venda de jogadores.
2 – Atlético-MG – R$ 1,4 bilhão

Foto: Gilson Lobo/AGIF
A dívida do Atlético-MG, atualmente na casa de R$ 1,4 bilhão, é resultado de uma combinação de empréstimos bancários, financiamento da Arena MRV e gestões que apostaram em altos investimentos sem retorno imediato.
Estrutura da Dívida do Atlético-MG:
Atualmente, o Galo deve aproximadamente R$ 1,4 bilhão, dividido da seguinte forma:
- Empréstimos bancários: R$ 507 milhões
O Atlético tem dívidas com oito bancos, sendo o maior credor o BTG Pactual, com R$ 191 milhões a receber.
Esses empréstimos foram feitos principalmente para manter a competitividade do elenco e cobrir déficits financeiros.
Como se tratam de operações bancárias, os juros acumulam, tornando a dívida ainda mais pesada ao longo do tempo.
- Financiamento da Arena MRV: R$ 410 milhões
Esse valor inclui custo da obra, contrapartidas, plano de tecnologia e questões operacionais.
A construção do estádio custou cerca de R$ 1 bilhão, mas parte desse valor foi coberta com venda de patrimônio e outras receitas.
Mesmo com a inauguração, o Atlético ainda tem valores a pagar pelo estádio, que é visto como um ativo fundamental para o futuro financeiro do clube.
- Outros débitos e passivos diversos
O restante da dívida inclui processos trabalhistas, pendências com fornecedores e outras despesas operacionais do clube.
Principais Motivos da Dívida:
Gestões que apostaram em alto investimento no futebol: O Atlético gastou pesado para montar times competitivos, o que trouxe títulos (como o Brasileirão 2021 e a Copa do Brasil 2021), mas também elevou a dívida.
Dependência de empréstimos bancários: Para manter suas finanças operando, o clube recorreu a bancos, acumulando juros altos.
Construção da Arena MRV: Embora seja um investimento estratégico, o estádio ainda gera um passivo considerável.
Dificuldade em gerar receitas sustentáveis: O clube precisa de mais receitas para equilibrar suas contas, seja com bilheteria, patrocínios ou venda de jogadores.
1 – Corinthians – R$ 1,8 bilhão

Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
A dívida do Corinthians, atualmente na casa dos R$ 1,8 bilhão, é resultado de uma série de fatores que incluem má gestão financeira, altos gastos com contratações, atrasos em pagamentos e o financiamento da Neo Química Arena. Vamos detalhar a origem e os principais componentes dessa dívida:
O Corinthians deve aproximadamente R$ 1,8 bilhão, dividido da seguinte forma:
-Dívidas tributárias: R$ 817 milhões
São valores não pagos ao governo, como impostos e encargos trabalhistas.
-Financiamento da Neo Química Arena: R$ 677 milhões
Empréstimo feito junto à Caixa Econômica Federal para a construção do estádio.
Inicialmente, o valor total do financiamento foi de cerca de R$ 400 milhões, mas os juros e renegociações aumentaram o montante.
-Dívidas cíveis e trabalhistas: R$ 926 milhões
Incluem processos na Justiça e valores devidos a ex-jogadores, funcionários e fornecedores.
R$ 367 milhões desse montante fazem parte do Regime Centralizado de Execuções (RCE), um modelo de gestão judicial da dívida que busca evitar penhoras que comprometam o funcionamento do clube.
Em 2025, o clube apresentou um plano para o pagamento de parte de sua dívida, no valor de R$ 367 milhões, ao longo dos próximos dez anos.
Principais Motivos da Dívida:
Gestões irresponsáveis: O Corinthians gastou mais do que arrecadou, apostando em contratações caras sem retorno financeiro.
Salários e direitos de imagem atrasados: Jogadores e ex-jogadores cobram na Justiça valores pendentes.
Custo da Arena: O estádio foi inaugurado em 2014 para a Copa do Mundo, mas o financiamento e a falta de receitas com o naming rights por anos agravaram a dívida.
Processos trabalhistas: Ações judiciais de ex-funcionários e atletas impactam diretamente as finanças.
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